
Quando a avó materna de Fernanda lhe ofereceu café pela primeira vez, ela não criou nela apenas o costume de consumir a bebida e admirar seu processo de produção. Ela também plantou a semente da futura profissão de sua neta.
FERNANDA
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Natural de Palmital-SP, Fernanda Correa se mudou para Assis-SP quando seu pai, ferroviário, foi transferido de emprego. Lá ela se graduou em publicidade e propaganda e conseguiu seu primeiro trabalho como promotora de merchandising na Itamaraty, uma grande empresa de café.
Foi ali que ela deu seus primeiros passos na construção de uma história pautada na bebida que superaria o simples hábito de consumo dela para tornar-se o produto base da sua profissão e que a traria, alguns anos depois, para Londrina.
Motivada por uma pós-graduação na Universidade Estadual de Londrina (UEL), sua vinda à cidade lhe possibilitou realizar um sonho antigo: a abertura da sua própria cafeteria.
Com uma veia empreendedora aflorada desde a infância, inaugurou a cafeteria com uma sócia em 2010 e começou o seu processo de imersão e profissionalização no âmbito do café.
Ao longo do caminho, foi encontrando as pessoas certas que a ajudaram nessa trajetória. Iracelis Gonçalves, na época presidente da Câmara das Mulheres, convidou Fernanda para seu jantar de posse, onde ela conheceu Carlos Amaral, o responsável por lhe ensinar tudo sobre os cafés especiais e que a incentivou na criação do seu próprio blend.
Mesmo com as dificuldades do empreendedorismo e da necessidade de começar do zero em uma nova cidade, Fernanda foi se adaptando e construindo seu negócio com paixão e um amor crescente pela bebida.
“Esse mundo a hora que você entra e está dentro dele, não tem como sair. Mas, eu acho que o principal, é fazer aquilo que você gosta e com amor, daí não dá errado.
Foi esse amor e dedicação que aproximou Fernanda da Rota do Café, um projeto turístico de imersão e resgate da cultura do café em Londrina e Região que visa manter essa tradição e fortalecer o trabalho de produtores e comerciantes locais. Inicialmente, entrou nele como um empreendimento parceiro, depois passou para associada e, atualmente, é presidente do grupo.
Sempre comunicativa e apaixonada por escutar histórias, por onde passa Fernanda encontra conhecidos que a param para conversar sobre os projetos que realizam em conjunto ou se atualizarem sobre as últimas novidades.
No Museu do Café, um dos locais mais recentes que marcam sua trajetória, ela conhece desde os seus guias até os personagens do cenário cafeeiro londrinense que são exibidos nas televisões e painéis do local. Uma lista de conexões que ela vem formando e cultivando nesses 20 anos em que vive em Londrina.

Inaugurado em agosto de 2023, o Museu foi construído em anexo ao SESC Cadeião e apresenta um grande acervo que busca conectar a população à história de Londrina e ao produto que a fez ser mundialmente reconhecida. Com poucos meses de atividade, o local já se tornou um ponto de referência para aqueles que querem se aprofundar nos conhecimentos sobre a história e tradição londrinense com a bebida.
Atuando como presidente da Rota do Café, Fernanda sinaliza com orgulho os produtores que estão no Museu e que também fazem parte dos roteiros da Rota. Um trabalho de preservação da memória londrinense que eles realizam em conjunto e que se ramifica em diversas áreas e lugares da cidade.
Do mesmo modo, sua função profissional se ramifica também até sua vida pessoal, que ela mesma afirma ser tópico debatido frequentemente em sua família. Mas é essa rotina intensa e seu comprometimento de corpo e alma que lhe permite colher os frutos de um trabalho que impacta a vida e histórias de diversas pessoas da cidade e região. Mais do que seu trabalho, o café lhe permite fazer aquilo que mais a gratifica: servir.
Na cidade que a encanta por sua beleza e que se transformou em sua casa, Fernanda deixa a marca do seu trabalho e de quem é por onde passa. Do Museu do Café às cafeterias onde realiza suas reuniões e desfruta dos momentos com amigos e família, ela contribui para manter a história da cidade viva e conecta novas histórias a ela.

Ter um legado na cidade através de sua profissão é especial e importante para ela. Ser reconhecida e levar o nome de Londrina para outros lugares é uma grande conquista, mas ter para quem deixar essa história é o que, para ela, faz tudo valer a pena. Afinal, como afirma com veemência, o café e seu trabalho com ele não se sobrepõem a sua família, que é sua base e a relação que mais valoriza.
“Eu estar com a minha filha, com a minha família, com o meu marido é o mais importante. Porque uma hora tudo vai acabando, vai mudando, são ciclos. Hoje eu estou no projeto, daqui uns cinco anos, seis anos, pode ser que eu já seja outra pessoa. A gente tem que entender que isso é natural.

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